quinta-feira, 14 de maio de 2015

Sobrevivência.

"O Brasil só vai mudar, depois realizarmos uma ampla Reforma Política". Considerada a 'Mãe' de todas as reformas, a Reforma Política muda a forma como elegemos nossos representantes, o tempo de mandato, regulamenta também formas de participação direita da sociedade entre outros assuntos. O potencial transformador de uma Reforma Política é inegável. Nosso sistema possui vícios que distorcem a representação do eleitor. Mas se é tão transformadora e urgente, porque a reforma política não sai do papel. A resposta rápida... por uma questão de "sobrevivência".
Todos os políticos eleitos, de uma forma ou de outra se beneficiaram deste sistema. Mesmo quando encontram problemas, eles sempre consideram que seu mandato é democraticamente legítimo. Quando veem problemas na representatividade é sempre na representatividade do outro. Supomos que um político é eleito com massivo apoio de empresas. Ele poderá apontar que o problema de nosso sistema são os partidos pequenos, que usam verba do fundo partidário não são representativos na sociedade e que prejudicam a governabilidade. Já o político eleito por um partido pequeno que recebe menos verba de empresas e são mais dependentes do fundo partidário, vai dizer que partidos pequenos são legítimos e representativos da sociedade assim como os grandes e que o problema da reforma política são as campanhas desiguais. O interessante é que, como todas as forças estão representadas no Congresso Nacional, elas se equivalem e se anulam. É por isso que nenhuma reforma sai. Nossos parlamentares, no exercício de seus mandatos, não conseguem se aprofundar no mérito das questões acerca da ordem democrática, do que seria democrático, funcional ou não dentro de um sistema político. A reforma não sai pois os políticos no fundo sabem que o dissenso sobre a questão é um porto seguro. Por mais que seja cheio de falhas, os políticos confiam mais no modelo atual para garantir um próximo mandato, do que qualquer outro modelo novo. No final das contas, os políticos podem sempre culpar a falta de consenso, a complexidade da matéria. É perceptível que que a discussão é boicotada pois nenhum dos lados topam fazer concessões mínimas sobre qualquer reconhecimento de mérito. Por que não fazer não uma consulta popular em dois turnos, com amplo debate na sociedade dentre os modelos mais defendidos? Por que fazer uma reforma ampla uma vez que não há consenso nem para se definir sistema eleitoral? Tentamos diversas vezes fazer uma reforma política "ampla" pela via exclusiva do Congresso Nacional e falhamos todas as vezes. Enquanto isso, os parlamentares insistem em não promover um debate definitivo sobre o tema. Tudo isso tem uma razão clara, consciente ou não: Não querem mudar as regras do jogo que aprenderam a jogar.

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